Relato de parto Rafaela Medeiros - Nascimento do Heitor


Se achegue, e vem conferir o relato de parto da Rafa. Ela é a prova de que a informação te empodera, te fortalece. Me sinto honrada por ter participado da chegada, tão respeitosa e cheia de carinho, do Heitor. De quebra, ganhei uma super amiga.

Vi tanto amor nesse trabalho de parto e nascimento, que cheguei em casa meio Amelie Poulain, querendo mudar o mundo pra melhor. Vi força, vi vida. Vi um casal empoderado. Vi amor.

Gratidão, universo!

Relato de parto Rafaela Medeiros - Nascimento do Heitor.

Bom, tudo começou a 5 anos atrá,s quando tive minha primogênita de parto cesárea sem indicação , ela nasceu linda e saudável, porém horas depois do parto, caí em depressão! Eu só chorava. Queria minha barriga de volta, queria sentir ela dentro de mim de novo. Estava tudo estranho, ela não queria mamar. Eis que chega uma enfermeira no quarto e diz isso é porque ela nasceu de cesárea marcada, "ela não queira vim essa não era a hora você só estava de 38 semanas e meia!". Cai em lágrimas, e me senti culpada. (Não acho que a cesárea seja ruim, só acho que não foi feita da forma certa e nem com um motivo certo no meu caso). Ali mesmo sem saber se teria um próximo, já decidi que meu próximo parto não seria nem se quer parecido com o primeiro, poderia até ter outra cesárea, porém na hora que o bebê quisesse vim ao mundo!

Passado se 4 anos descobri que estava grávida novamente, um misto de sensações tomou conta de mim! Mas a primeira coisa que venho na mente foi: 'e o parto!?'. Convênio cobra disponibilidade, sus é linha de produção, só ouvia relatos péssimos e agora como meu bebê iria nascer?! Uma amiga viu meu desespero e me indicou a roda bebedubem. Ali eu me encontrei logo quando li sobre amamentação. Já sabia que estava no lugar certo porque mesmo sendo nova sem saber direito amamentar e como funcionava, Eloa mamou a livre demanda (eu nem sabia o que era isso só sabia que multiplicava o nosso amor é o nosso contato) até 12 meses! Na hora me senti bem, pois vi que recuperei o trauma do parto amamentando ela. Enfim comecei as pesquisas: 'o que é Doula? Como funciona? Ela faz o que? Rs'. Foram noites e noites e noites rs pesquisando assistindo vídeos, se apaixonando cada vez mais pelo parto humanizado. Demorei muito tempo pra ir atrás de uma Doula (nunca é tarde) mas tive que bate de frente com médico, e família que não entendia o que era, amigos e etc! Decidi me calar. Não falei nem pra minha mãe que iria enfim, conhecer uma Doula. Com 33 semanas de gestação apenas, essa amiga e meu marido, que sempre apoiaram a minha decisão, sabiam. Marquei um encontro com Debora Regina Magalhães Diniz, minha Doula maravilhosa, que me acolheu e aceitou o meu caso (outra batalha começava Platão do Sus). Mesmo já tendo escolhido a Doula, tinha muita coisa pra enfrentar, plantão nem sempre aceita o que desejamos "e se eu pegasse uma médica cesarista e se eu pegasse uma enfermeira contra Doula que existe muitas rs" . Infelizmente eu não tinha condições de banca equipe. Era meu sonho, porém um pouco longe da realidade! Pensei comigo vou aceitar o que posso e tenho condições e vou à luta, me informar comer textos, ler, ler, saber de todos os meus direitos, montar plano de parto, saber o que é bom ou não pro meu filho e rezar.. Pedi muito a Deus pra que eu pegasse uma equipe de acordo com os meu desejos pediatra obstetriz medida, etc ! A Debora me apoiou muito, sempre me dando força pra enfrentar o que viria ! Fizemos um chá de benção maravilhoso. Me conectei ao universo, pedi força às minhas ancestrais que pariram. Lembrei da minha vozinha, que pariu na beira de um riacho.. Pedi, implorei ao universo que desse tudo certo e deu.

Dia 08/09, passei na minha médica (mesmo ela sendo cesarista não troquei, tinha um outro médico no meu convênio que aceitava meu plano de parto, mas não iria pagar disponibilidade então continuei com ela mesmo) depois do Cardio, ela vira e fala: "seu bebê está muito alto (detalhe ela não fez toque pra saber eu não deixei) e você não tem contração vai ser difícil um parto natural pra você!"

Fiquei muito triste, sai chorando, mas pensei em tudo que li, em tudo que aprendi sobre parto e me mantive firme! Meu corpo sabe trabalhar! Nesse mesmo dia, resolvi andar, andar mesmo rs fui às compras resolver os últimos detalhes, fui ao dentista, andei pra valer, andei até de ônibus mesmo podendo ir de carro, eu queira me distrair pra não pensar no que a médica tinha dito. Esperei meu marido sair do serviço, e fomos fazer compras. Demoramos horas no mercado, e eu desfilei meu último dia de gravidinha sem saber rs. Fiz tanta coisa nesse dia que não me lembro mais. Não satisfeita, mesmo a casa estando em ordem, fiz faxina limpei tudo, abaixava, levantava, e sem me sentir cansada, pintei as unhas de vermelho, fiz tudo que tinha vontade rs. Tomei um banho demorado ri, chorei, rezei! Eu sabia que estava próximo eu sentia que o grande dia estava chegando! Tive uma conversa longa com o meu marido, ele que tanto quanto eu, queria e sonhava com esse parto, me disse coisas lindas me animou e me fez se sentir renovada com as palavras! Uma delas foi: “ você precisa está tão pronta por dentro como está por fora. O Heitor precisa sentir que você está pronta! ”

Realmente eu estava pronta por fora, mas por dentro faltava alguns detalhes rs me conectar a ele, e fazer ele se sentir seguro! Fiz minha oração, tomei meu chá e deitei. Acordei, nem meia hora depois senti vontade de ler algo sobre nascimento (esses textos ou poesias). Uma amiga tinha me recomendado a uns dias atrás, o texto da Flávia, a nona lua. Eu li e coloquei em pratica rs me senti realmente pronta! Passei a mão da na barriga e disse: “bebê pode vim estamos prontos”. Mal eu sabia que seria no outro dia.

Acordei às 6 da manhã, com o primeiro sinal , uma dor que sumiu quando me virei. Voltei a dormir e pensei “era contração de treinamento rs”.. Poderia até ser, mas eu não acordava com elas rs Fazia vários dias que já estava sentindo e nenhuma foi tão forte ao ponto de me acordar !

Era o dia! Era o grande dia. dia 09/03/2016. Acordei às 9h, com dor de novo, estava mais forte, e demorou mais pra passar. “Aí que delicia” - foi o que pensei na hora da dor! “Hoje eu conheço o meu amor”.

Acordei meu marido e falei vamos na minha mãe toma café rs eu queria andar! Mandei uma mensagem no grupo que estava a minha Doula e a fotógrafa e falei “talvez seja hoje gente rs”. As duas me responderam quase que na mesma hora. Estava indo até o carro quando senti outra contração, e essa me rasgou rs. Doeu mesmo. Entrei no carro. Cheguei na minha mãe, tomei um belo café. Dei um beijo na minha mãe e disse que queria sopa. Ela disse que iria fazer na janta. Eu estava pronta pra um trabalho de parto longo, então imaginei que daria tempo de jantar rs. Fui pra casa, arrumei mais algumas coisas e assisti um filme. As contrações iam e voltavam. Peguei no sono, ouvi os concelhos da Doula, descansar o máximo possível, e eu dormi um sono maravilhoso rs.

Acordei às 2 da tarde, e queria andar mais rs.. Chamei meu marido e disse para irmos comprar almoço. Ele: “você aguenta ir?”. Eu: “lógico rs quero andar”. Descendo até o carro, eu senti que estava vindo outra contração. Segurei no corrimão e ali fiquei uns 5 minutos mas ainda queria ir junto, então fui até o carro. Senti outra bem forte pensei “opa agora sim, duas em menos de 10 min”.

Compramos almoço, e eu não consegui tocar muito na comida! Lembrei do chuveiro. Fui pra lá e meu marido começou marcar as contrações. Ainda não tinha chamado a Doula porque queria curtir cada momento de uma vez. Fiquei no chuveiro das 3h até às 5h. Cada contração eu dizia “eu aceito, eu aceito toda essa dor eu quero sentir mais!”. Meu marido tirou uma foto e mandou pra minha mãe. Ela respondeu: “que linda que orgulho!”. Me senti mais foda ainda rs sai do chuveiro, pedi pro meu marido avisar a Doula que a coisa estava ficando séria, e avisar a fotógrafa também.

“Agora preciso de ajuda pra anda, pra sentar , tá doendo mesmo tá doendo mais.” Estava de 5 em 5 min duração, de 60 segundos. 18hrs a Doula chegou. A dor sumiu por uns instantes, e dei uma desanimada. Sabia que poderia não voltar mas voltou. Ela colocou a mão sobre minha barriga e disse: “que contração linda rs não briga com ela!”

Logo a fotógrafa chegou. Meu marido foi a padaria. A Doula pediu pra ele trazer um açaí pra mim , e as contrações continuavam lindas fortes intensa.

A Debora disse: “você tá do jeito que a Doula gosta engrenando rs”. Meu marido chegou, me deu o açaí e aquilo foi como uma ocitocina natural. Vocalizei o ‘aaaaaaaaaaaa’ e disse “preciso ir pro chuveiro”. Fui, fiquei ali por um tempo (já não sei quanto rs). Estava com um pé na tão famosa partolândia. Estava ansiosa pra conhecer rs. Sai do chuveiro, a Doula fez uma massagem e colocou uma bolsa morna na minha barriga.. que delicia, que alivio, mas não durou muito tempo rs “quero volta pro chuveiro”.. ali fiquei. Senti o tampão sair. Cheguei na partolândia!!!

Minha irmã chegou com a sopa da mamãe, que não consegui nem sentir o cheiro.

A dor estava forte, me rasgava por dentro, me deixava doida, me consumia mas eu queria mais. Eu sabia que aguentava, eu queria aquele parto, eu sonhei aquele parto. Minha irmã, que não era a favor daquele parto, me olhou e chorou: “que linda, irmã. Como você é forte!” - Me deu a mão, sentiu uma contração comigo, e me ofereceu a sopa. Eu só conseguia vocalizar o ‘aaaa’. A Debora passando óleo em mim, minha irmã me dando a mão, meu marido fazendo massagem nos pés, e a fotógrafa na porta do quarto. Foi a última contração. Como assim a última? Eu já sentia vontade de fazer força. A dor já não ia embora. Não me lembro da dor ir e dor vim só me lembro dela em mim e o ‘aaaa ‘que saia da minha boca sem parar.

A Doula pediu pra ir irmos pro hospital (eu mesma nem lembrava de hospital).

Minha irmã e a Doula, me ajudaram a descer as escadas. Meu marido pegou as bolsas, e a fotógrafa ajudando. Entrei no carro. Foi como se tivesse em outro plano. Eu não me via, eu só sentia. Sentia que estava ali mas já não sabia aonde. Que coisa louca rs mas é verdade, a partolandia é um misto de sentimentos e sensações.

Chegamos ao hospital as 22 hrs. Antes mesmo de sair do carro, senti vontade de fazer força. Me lembro da ânsia também. A Doula disse “seu parto está na fase ativa, falta pouco”. Entrei. Cadê a médica? Cadê? Eu quero empurrar. Eu quero fazer força.

(plantão é complicado várias pessoas na frente médico fazendo parto ou tomando um café rs) Sabia que nem tudo seria perfeito como um parto com equipe (perfeito que eu digo é ser respeitada). A médica pede pra fazer toque. Me deitei morrendo de dor. Ela não deixou meu marido entrar pois estava atendendo outra paciente. Eu sem entender muita coisa. Ela disse “9 dedos, que perigo”, virou e me deixou ali. Eeu dei um grito e disse “me ajuda a levantar”. Ela voltou com uma cara e me ajudou. Naquele momento tive medo, porque eu sai um pouco da partolandia. Pensei “puts essa medica conseguiu me tirar o foco e me fazer passa raiva”.

Logo que vi meu marido, voltei ao foco rs ele me levou até o centro de parto junto com a Doula e a fotógrafa. Nem sei pq eu fui de cadeira de rodas.. Queria ir andando mas não tinha força pra falar isso. Ele foi fazer a internação, e eu fui pro chuveiro e ali fiquei. Levantava,sentava na bola e nada tava bom. Queria meu marido, queria ver ele. Pedi pra fotógrafa ir chamá-lo. Ele apareceu, eu olhei e disse “amor, eu vou conseguir”. Ele disse “lógico que vai! Você é forte!”. A vontade de fazer força tinha passado, então fiquei ali. A bola já não tava ajudando. Em pé também não. Então segurei e agachei. Fiz uma força e senti que precisava sair da li senti meu quadril arder. A Doula me fez uma massagem ali em baixo do chuveiro mas não consegui aguentar, precisava procurar outro jeito de me aliviar, então ela me disse palavras de conforto, me disse “você é linda, diva, parideira” rs Renovei as minhas forças sentei no vaso sem avisar ninguém fiz uma força ali mesmo e que força rs. Quando fiz, só escutei um barulho muito alto de água caindo. Todo mundo assustado achando que o bebê tinha nascido, falando “levanta, levanta”. Eu meio sem saber o que tava acontecendo, escuto a Doula falar “foi a bolsa , sem mecônio tá lindo tá quase lá!”.

Resolvi sentar na cama. A obstetriz pede pra fazer o toque e diz “seu bebê já está aqui, você quer fazer uma força”.. (por sorte a minha Doula conhecia ela é nem precisei fazer nenhum pedido ela já sabia exatamente como me tratar e o que eu queria). Meu marido me deu a mão e um beijo na testa. Ele disse “você consegue”. Fiz uma força. A cabecinha apareceu. Não consegui nem ver, e não quis nem sentir rs. Chamaram o pediatra e me disseram “quando sentir vontade faz outra”. Eu senti e fiz. Mais um pouco da cabecinha estava ali. Como arde, como arde, queima, eu falava isso o tempo todo rs. Dei um grito: “vou morrer!” Eu vou morrer e eu morri e nasci no mesmo instante. Fiz uma força que não sabia que conseguia. Meu bebê nasceu. Eu só conseguia falar “meu amor, meu amor, meu amor”. Nasceu lindo, lisinho, pele macia, chorando forte, mostrando que tinha personalidade, que era perfeito, saudável! Beijei, senti seu cheiro. Agradeci a Deus mentalmente. Meu marido com olhos cheios de lágrimas, me deu um beijo e disse “eu sabia que conseguiria!”. Eu realmente morri e nasci , me parti ali. Eramos dois ligados ainda. Deixaram o cordão parar de pulsar e meu marido cortou.

Ali se iniciou um novo ciclo na nossa vida! Quanto amor, quanto amor. Eu queria gritar pro mundo “eu pari, eu consegui, eu renasci!”. Graças a Deus, a equipe nos tratou com todo amor do mundo. Heitor ficou comigo ali, mamou, e só depois o pediatra foi examina-lo. Nada de colírio, nada de vacina desnecessária. Tudo como pedi pra Deus! Dentro de mim eu gritava “gratidão, universo, gratidão a vida”. Nossa placenta nasceu grande, pesada. Olhei pra ela e agradeci pelo belo trabalho!

Heitor nasceu exatamente as 23:27 do dia 09/06/2016 um parto rápido pra uma mãe considerada primigesta. Nasceu com 50 cm pesando 3,615

Chorão, bravinho, super agitado, lindo, lindo como imaginei. Meu relato saiu depois de 3 meses porque não sabia por onde começar rs. Demorei pra conseguir mas enfim aconteceu!

Parto humanizando pelo sus pode existir sim. Aceitei a dor, venci o sistema e fui contra a tudo que ouvi, que parto assim como o meu seria impossível por não ter uma equipe! Foi possível sim e aconteceu como era pra acontecer. Gratidão a Debora, por ter me acolhido e acreditado em mim e por toda força que me deu. A Juliana Rosa, minha fotógrafa maravilhosa, sem você eu não lembraria de quase nada rs. E em especial, ao meu marido, que acreditou em mim, sonhou esse parto junto comigo e quis tanto quanto eu um nascimento cheio de amor e respeito pro nosso Heitor, obrigada meus amores pela força gratidão eterna a vocês.

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© Juliana Rosa

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