Relato de parto Lucy Domiciano - Chegada do Augusto

Aqui vem um divisor de águas na minha vida, o relato do segundo parto que fotografei. Vendo a força da Lucy, lutando pra trazer Augusto ao mundo como sonhou, vendo sua garra, vendo seu amor, eu me vi. Vi que queria continuar fotografando mulheres fortes, mulheres de luta, mulheres que admiro de maneira imensurável.

Vem conferir!

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Relato de parto Lucy Domiciano - Chegada do Augusto

Bem, quando meu bebe estava com aproximadamente 1 mês, fiz meu primeiro relato de parto. Romantizado... Sim teve "romance" também, mas não só isso, porém eu não queria relatar uma dor, e sim, somente o amor daquele momento. Dóia demais escrever o quanto ainda dói eu não ter parido.

Hoje faço o relato completo, e com amor, com a dor (emocional) que tive. Hoje consigo falar e entender um pouco melhor tudo que aconteceu.

Na madrugada do dia 12 de outubro de 2015, eu não conseguia dormir, porque era a data prevista para o parto, e embora eu soubesse que isso não significa que é a data "exata" do parto, eu estava ansiosa e esperançosa que assim fosse.... Não tive equipe, queria o parto normal desde o início da gestação por varios motivos. Porque como o nome já diz é natural, porque eu tinha muito desejo e curiosidade de saber como eram as dores do parto, porque eu queria testar o quanto eu era forte, porque eu queria sentir o primitivo feminino que há em mim, porque eu queria um parto respeitoso para meu filho aonde não houvesse procedimentos desnecessários após o nascimento, queria ser a primeira a pegá -lo e lógico, queria respeitar o tempo dele de vir ao mundo, queria que ele escolhesse a data. Bem... Na madrugada do dia 12... Eu conversei com Deus e com meu bebê, disse que estava pronta, que ele podia vir, que nós iriamos conseguir e que era tudo o que eu mais queria! Neste momento acredito que "destravei o botãozinho" que faltava para ele nascer. Deitei-me, e enquanto conversava com uma amiga no whatsapp, senti ele mexer de uma forma diferente, umas tremidinhas perto do umbigo, senti perfeitamente a cabecinha dele se encaixando, eu me lembro dessa sensação, fazia cócegas rs... Eu sabia que ele estava se encaixando para nascer... E disse a minha amiga (e fotógrafa) que havia acabado de vir de um parto, durma um pouco porque acho que daqui a pouco vc vai ter que levantar rs... Virei para o lado e como ainda estava sem sono, comecei a conversar com uma outra amiga, que também estava grávida. E neste momento o sono bateu, lembro - me do celular escorregando pelas minhas mãos, e quando eu comecei a cochilar senti a bolsa rompendo, sai correndo e já no banheiro saiu muito, muito líquido. Peguei uma toalha embrulhei, e fui ate o quarto de minha mãe avisar, eu tremia, uma mistura de euforia com medo do desconhecido. Mas estava feliz, e radiante! Fui tomar um banho, para me limpar do sangue que saiu junto com o líquido. A bolsa rompeu as 3:35 da manhã... Sai do banho e tentei dormir um pouco, antes das dores começarem, mas antes, avisei o "pai" (progenitor) do bebê, pois havia dito que o avisaria no dia do parto, e avisei também minha segunda familia que mora em São Paulo. E claro, a minha doula, que era também a minha "equipe" pois ela foi a única pessoa que pude pagar para me ajudar a parir. Enfim, não consegui dormir, levantei, sequei os cabelos, e logo amanheceu, ela (a doula) Lidiane, chegou. Conversamos, fiquei na bola, com contrações fracas e desritmadas. Mas eu estava muito feliz, muito radiante! Era o dia mais feliz da minha vida! Eu me sentia muito especial! Umas 9:00 da manhã chegaram meus amigos de São Paulo, (pai, mãe e filho)

Minha irmã, que mora em frente, veio tomar café da manhã em casa com minha sobrinha e descobriu que eu estava em trabalho de parto. Ela fazia uma cara de pânico quando vinham as contrações rs... Mal sabiamos nós que aquelas contrações eram coisa pouca, perto do trabalho de parto ativo. Por volta do meio dia, fui caminhar, para ajudar a dilatar, eu não sabia com quantos dedos de dilatação estava, mas as contrações não estavam ritmadas.

Caminhamos eu e Lidi, quase dois km, em uma avenida perto de casa. Voltei exausta pra casa, o sol estava "trincando".

Deitei um pouco, e as aumentaram um pouco. Minha mãe serviu o almoço, e essa hora foi muito marcante pra mim, lembro-me que estava almoçando feliz, parando a cada contração. E a Lidi no celular, pedindo orientações para suas amigas enfermeiras e médica. (agradeço-a por isso) E então, ela disse: "Lucy, já vai fazer 12 horas que sua bolsa rompeu, é seguro irmos para o hospital porque você vai precisar fazer soro, tudo bem que sabemos que ate 18 horas ok, mas é uma sugestão. Naquele momento meu mundo desabou! Porque eu queria ficar em casa o máximo de tempo possível, e eu sabia que eu ainda não estava em trabalho de parto ativo, eu estava sentindo as dores mais fortes, mas ainda estavam bem suportáveis, eu havia lido muito sobre parto, havia lido também muitos relatos, e sabia que a fase ativa era diferente. Pedi licença, me tranquei no banheiro, chorei muito, desesperada de medo, em minha cabeça eu não havia planejado aquilo, (ir tão cedo para o hospital) eu temia por procedimentos.... Conversei novamente com meu bebê disse que estava com medo mas que seria necessário irmos. Sai do banheiro, chorei, chorei e chorei, abracei todos os amigos, mãe, Lidi... Demorou um pouco até eu pegar as bolsas que levaria, fiz alguns agachamentos em meu quarto, me troquei e fomos. Chegamos no hospital e demorei a ser chamada para o primeiro atendimento, nessa hora quem entrou comigo foi minha mãe. Quando fui chamada, veio o primeiro desrespeito, uma enfermeira, que provavelmente faltou em várias aulas, me xingou em alto e bom tom, antes mesmo de eu me sentar para aferir a pressão. Ela perguntou se eu estava com bolsa rota e há quantas horas, eu menti, disse que desde as 5 da manha, mas mesmo assim ela gritou: sua irresponsável! Você colocou a vida do seu filho em risco! Poderia ter faltado ar à ele! Eu sabia que não, sabia que bolsa rota sem exames de toque não havia preocupação de infecção, e faltar ar? O bebê recebe oxigênio pelo cordão umbilical sua infeliz! Foi o que pensei.. Mas eu fiquei em choque com aqueles gritos e entrei em um estado meio de" transe" minha mãe tomou a palavra e disse à ela que não adiantava ela me xingar já que não poderia voltar atrás e que era pra ela me respeitar pois eu estava em trabalho de parto. Ela pediu que uma colega fisesse o primeiro exame de toque e com um ar de deboche aquela mulher me "arregaçou" eu urrei de dor! Estava com 4 dedos. Fiz o exame de cardiotocografia que deu resultado incerto, pois segundo essa "enfermeira" o aparelho estava desregulado. Quando finalmente passei na medica, mais ou menos uma hora depois.... Esta me disee que realmente não tinha problema eu ter ficado em casa porque não havia risco de infecção, ja que eu não tinha feito exame de toque e estava um em um TP tranquilo. Fez o segundo exame de toque, e ainda com 4 dedos. Cheguei no hospital por volta das 15:00 e fui internada às 17:00. Quando me despedi de minha mãe e pedi que a Lidiane entrasse comigo, eu sabia que ela como profissional poderia me ajudar mais que minha mãe naquele momento.

Já na sala de parto as dores intensificaram, e eu não conseguia sair do chuveiro, neguei os exames de toque até quando pude, em um dado momento cedi, eram umas 19:00 horas, e eu estava com 5 dedos... Por conta do choro antes de sair de casa, tive enxaqueca, e neste momento eu surtei! Eu gritava por cesarea, eu não conseguia administrar duas dores tão intensas, sabia que minha pressão estava alterada. Então foi feita a medicação para dor de cabeça, e eu "apaguei" por 10 minutos, que foram revigorantes! Lembro me até hoje do sonho que tive e que me fez acordar, estava dentro de um carro rodando de ré, indo para o "infinito" quando o carro ia bater contar um muro eu acordei já com uma contração! A Lidiane estava com os olhos estalados olhando pra mim, e preocuapada achando que eu tinha desmaiado rs... Dessa hora em diante eu entrei no meu primitivo, eu senti muita dor, mas até crise de riso eu tive em meio as contrações.

Teve horas de apavoramento, de achar que não ia dar conta, mas a Lidiane me disse uma coisa, que me serviu de auto hipnose, ela disse: "quando vierem as contrações imagine que a sua boca e sua vagina formam um túnel, e quando vc respira esse túnel abre" Então, em todas as contrações eu fazia isso, e me concentrava tanto nesse "túnel" que quando percebia a contração já havia passado e eu tinha mais um minuto de descanso até a próxima. Bem, os exames de cardiotocografia que eu fiz diziam sempre que meu bebê estava ótimo e isso me acalmava e confortava. Já os de toque.... O rosto das duas enfermeiras era de "DECEPÇÃO" E isso me deixava insegura quanto ao "funcionamento do meu corpo" Por volta das 21:00 eu "ainda" estava com 5/6 de dilatação, e eu chorei bastante, disse que tava difícil aguentar mais umas 5 horas.... (fiz as contas de quantos dedos por hora) a Lidi disse que não tinha nada a ver, que cada corpo é um e que eu podia dilatar todo o restante em uma ou duas horas por exemplo. Mas uma das enfermeiras dizia carinhosamente "Lucy você não sera menos mãe se fizer analgesia, eu fiz e pari. Tudo normal, tire sua dor, acabe com isso, você pode! (ela não sabia que a dor maior era a dos exames de toque, e das caras de decepção que elas faziam.) a dor do parto eu queria sentir! Mas as horas foram se passando e jun vei a exaustão, eu não havia dormido na noite anterior estava muito exausta, e preocuapada com o bebê.

A médica sempre dizia quando fazia exame de toque" ta tudo bem com o bebê, vamos vc consegue!" Só que a enfermeira entrava e minava minha auto confiança com aquela cara de piedade, dizendo que tem mulheres que demoram mesmo, e que meu corpo estava demorando, e que eu podia ajudá lo fazendo analgesia e soro de ocitocina. A medica entrou, e eu perguntei o que ela achava? Ela disse: se quiser faço ocitocina em vc aqui no quarto, pois a analgesia pode travar o trabalho de parto. Nesse momento quem teve parto normal sabe que na "partolandia" a gente não raciocina bem. Eu me esqueci do plano de parto, e olhei pra medica e pensei "sádica, quer que eu sinta ainda mais dor!" (por causa do soro) A enfermeira entrou, e perguntei à ela se analgesia poderia travar e ser preciso fórceps, que foi o que a Dra disse. Ela negou, disse que também fez analgesia e que era tudo muito tranquilo. Isso me deixava realmente confusa, até mesmo em relação a meu bebê, pois as respostas eram controvérsas. Eu neguei tudo, disse pra médica que não queria soro, que não queria aumentar a dor que estava sentindo, (que era de partir ao meio) disse também a EO que não queria analgesia, e fui pro chuveiro... Um tempo depois entra a enfermeira para o enésimo exame de toque, e mais uma vez com ar de decepção diz "ainda nos 7 dedos Lu... Tem certeza que não quer aliviar essa dor" A Lidiane que me corrija se eu estiver errada, não sei se só pensei ou se cheguei a falar, mas os exames de toque me doiam bem mais que as contrações, e as "caras" de decepção, minavam a minha auto confiança. Ela (a enfermeira) disse que estava sendo o mais delicada possível nos exames, eu disse que doiam mas ok. Ela perguntou MAIS UMA VEZ!!!! Se eu não queria a analgesia, eu disse: "vou para o chuveiro e se em uma hora eu não dilatar mais nenhum dedo, eu aceito. Foi então "só então," que ela me disse que havia bola de pilates, a trouxe, e eu fiquei na bola, quicando durante uma hora no banheiro escuro. Sinceramente não me lembro das contrações nessa hora, lembro que tive pois eu vocalizava, mas não pedi massagem a Lidi, quis ficar sozinha no banheiro escuro, ajudando meu corpo...

Após essa hora, que pra mim pareceu ser 20 minutos, mais um exame de toque, e eu estava com 7 cm.... Então eu desisti! Cansei de ver cara de decepçao da enfermeira, cansei do meu corpo não me ajudar (foi o que pensei) cansei de imaginar que pudesse acontecer algo para meu bebê e a culpa seria minha!

E disse que aceitava a analgesia e ocitocina para dilatar logo. Disse com uma mistura de raiva, decepção, desespero, irritabilidade, exaustão! Enquanto eu me trocava para ir para o centro cirúrgico, a médica adentrou o quarto perguntando se eu não queria aguentar mais um pouco, pois ela havia descoberto que eu não poderia voltar para o quarto após a analgesia e ela sabia que eu queria um parto natural. Só que eu já havia me trocado, já havia desistido de mim, ja não aguentava mais exames de toque e não sair dos 7 dedos, e nessa hora eram 2 da madrugada, e eu já havia "também" me esquecido do meu plano de parto, de tudo que eu desejava e tudo que eu NÃO desejava... Fui para o centro cirúrgico andando, batendo o pé mais propriamente dizendo. A dra perguntou se eu não queria maca e eu disse que não, que estava tudo ok, pedi sua mão "emprestada" em uma contração que tive no corredor (e acho que quase quebrei as mãos dela coitada) Chegando ao CC, um lugar frio e assustador, não quero mau dizer o hospital, não é isso, mas me lembrou um frigorífico... Com azulejos pequenos brancos... Me deu um calafrio ao subir na maca para fazer a tal analgesia... Enquanto a enfermeira me ligava em um monte de aparelhos que eu não fazia ideia que seria necessário. Naquela hora lembrei-me da cirurgia que fiz anos atrás, e que estava sozinha também e tive um pouco de medo de morrer com a anestesia... Sinceramente aquele ambiente não era o que eu queria para parir, mas... Eu já estava ali... Quando a enfermeira terminou de ligar os aparelhos e o tal "sorinho" me lembro que eu ja estava com tanta dor que pedi pra liberá - lo somente após a anestesia. (me sinto uma covarde por isso! Talvez se tivesse aceito o soro no quarto...) Quando eu descobri que a anestesia era a Raque! Eu pensei em pedir desculpas e desistir, e voltar para o quarto! Eu morro de medo da Raque! Em meio as contrações... E se a anestesista errasse e eu ficasse paraplégica? Foi o que pensei... Olhei pra ela, e quase verbalizei a desistência, mas imaginei que não pudesse mais desistir naquela altura do "campeonato" Foi então que começou o "show de horror" ela afincou uma, duas, três, quatro, cinco vezes a agulha aproximadamente até consegui achar o local certo, e eu estava tendo muitas contrações de partir ao meio, e não podia me mexer! Não sabia o que fazer eu me lembro que pedia para ela parar quando a dor apertava, eu dizia que era impossível ficar muito imóvel porque meu corpo contraia praticamente automático. "Finalmente" fui anestesiada, esperava e as dores não passavam, e disse "ainda dói" ela respondeu "espere não é tão rapido assim." Eu sinceramente estava sem noção de tempo. Quando a anestesia pegou, foi na parte alta da barriga, passaram as dores das contrações, mas na parte inferior à direita a dor continuou insuportável, e de um jeito "estranho" porque eu ja não sentia o "time" das contrações e sim, uma dor latente na pelve à direita. Disse à anestesia, que respondeu não saber o que havia ocorrido, que provavelmente eu tenho ou estava com um estava com um "nodulo muscular" coisa assim, e que não havia o que fazer. Resumo as dores continuaram, de um jeito diferente, mas continuaram, e em um ambiente totalmente hostil, com profissionais com ar de deboche. A única lá que não era hostil era a Médica. Meia hora após, eu havia dilatado os 10 dedos. A dra ainda disse "seu colo ainda esta muito duro e alto, você iria demorar muito mesmo" me lembro disso, e nessa hora ela também fez uma cara de "negação" como quem diz "seu corpo realmente não estava respondendo bem..." Dessa hora em diante eu já não sabia mais o que fazer e então, visto que já estava totalmente dilatada, perguntei: "e agora?" ela respondeu, "pode começar a fazer força comprida" Eu não sentia nada e pra mim aquilo era totalmente esquisito, a dra de costas pra mim fazendo anotações, a anestesista sentada com braços cruzados à minha esquerda, e mais umas duas enfermeiras encostadas na parede. A enfermeira que ofereceu a analgesia varias vezes apareceu por lá também depois, mas ficou apenas na porta dizendo pra eu me acalmar. Porque, eu fazia força, MUITA! E ouvia a anestesista dizer "ela não sabe fazer a força correta" aquilo minava novamente a minha confiança, até que eu virei para o lado e disse à ela para me ensinar a fazer, já que eu não sabia... A dra olhava enquanto Eu fazia forças... E andava de um lado para o outro, fazendo anotações. Eu estava zonza com aquilo, e lembrei me do meu pavor! A episiotomia, lá no CC era "o lugar propício pra isso" e eu também havia me esquecido disso na hora que decidi- me pela analgesia e soro. Então, em todas as trocas de luvas da dra, quando meu bebê descia, e subia, eu achava que ela estava virando pra pegar "a tesourinha" e eu retraia o meu corpo inteiro de medo, fiz varias vezes a pergunta "não vai fazer episiotomia né?" parecia uma criança acoada, era assim que me sentia. A cada vez que ela colocava sua mão dentro de mim, para retirar películas eu sentia uma dor horrível! Até que em dado momento não aguentei e pedi oor favor para que ela parasse. Ela foi dócil, se desculpou e disse que imaginou que eu não estava sentindo, por isso o fez. Até que ela liberou para a Lidi ir lá ao meu lado, tentar me ajudar... A lidi me abraçou passou os braços por trás do meu ombro, e eu fui fazendo as forças compridas...

O bebê descia, a médica dizia que chegava a tocar em seu cabelinho, e quando eu respirava, ele subia novamente. Mas a dra estava a todo momento dizendo "acho que vou ter que indicar a cesarea, lá no CC, ela ja havia desistido de me ajudar a parir. A Lidi pediu para que eu pudesse ficar em pé, a dra deixou, disse para eu jogar meu peso em seus braços, me amparou pelas costas e falou para eu fazer força, eu só me lembro de cair de joelhos, implorando para Augusto nascer! Eu gritava que queria parir!

A dra indicou cesarea... Eu levantei dizendo que queria parir, eu deitei na maca repetindo isso.... E comecei a ter uma espécie de crise de nervos! Falta de ar, tremedeira, e muito vômito. Pedi oxigênio, quando a enfermeira colocou a máscara (mas não ligou) eu gritei pra tirar porque a falta de ar piorou, eu estava muito mal, tremendo, vomitando, uma sensação que iria morrer sem ver meu filho! O inconsciente é tão engraçado que na hora que ele nasceu, ouvi o chorinho muito distante, achei que fosse na sala ao lado (rs) a primeira coisa que pensei foi." filho, agora a mamãe não pode mais te parir, tiraram vc de mim" (até naquele momento inconscientemente eu achava que poderia de alguma forma levantar e pari-lo. Augusto nasceu às 3:33 da madrugada. Eu olhei para a Lidi e disse "vão pingar o colirio, vão aspirar, tudo que eu não queria...." me senti um lixo fracassado nessa hora. Ela me disse pra não pensar nisso naquele momento. A Dra disse que o bebê estava defletido, por isso descia e subia. O trouxeram pra mim, eu o cheirei disse "oi a mamãe esta aqui" e ele parou de chorar ao tocar meu rosto, e esse momento foi mágico!

O levaram para "salinha" para pesar medir avaliar etc... E eu só queria estar com ele nos braços, esperando o cordão parar de pulsar, queria eu mesma cortar o cordão, queria dar mamá etc... (não queria por modinha de parto humanizado, afinal eu nunca havia ido nas rodas, apenas qdo fiquei grávida, desde o momento que descobri, eu li e li muito! E percebi que a maioria dos médicos são cesaristas e inventam um monte de motivos bestas para fazerem o que "eles" acham conveniente. Fui pra sala de recuperação, e lá fiquei 20 minutos (que pareceram 2 horas!) E a todo tempo, tremendo e com uma vontade imensa de fechar os olhos, "mas eu não podia" eu não podia "apagar" era só eu e meu filho, eu sabia que se fechasse os olhos não acordaria tão cedo (a sensação era que não acordaria nunca mais) Perguntei à enfermeira aonde estava meu bebê e que horas eu sairia de lá. Ela disse que ele estava no berço aquecido e "já já" eu iria junto com ele pro quarto. Aquele já já demorou tanto... Quando finalmente ela o buscou pra colocar junto a mim, me deu pânico! Eu não sentia meu corpo da cintura pra baixo, e estava tremendo muito! Como segura lo? Então sem dizer muito ela abriu meus braços, subiu a grade da cama, o colocou e fomos pro quarto. Chegando la, ficamos só eu e ele, ela o colocou no bercinho, ao lado da cama, eu, que ainda tremia muito, "travei meu pescoço virado para o berço e travei também os olhos, para não dormir, afinal se eu dormisse e ele chorasse?" Eram mais ou menos umas 5:30 da manhã, minha mãe e amiga, só puderam entrar no quarto às 9:00. Quando a tremedeira finalmente passou. Eu pedi água mas como não podia, a enfermeira passou um algodão molhado em meus labios, que estavam rachados de tanto vomitar. Eu passei muita sede!

Enfim, no quarto eu não me aguentava de vontade de amamentá -lo! Más o pai (progenitor) disse por telefone que estava indo conhecê -lo. Afinal ele foi embora à meia noite na madrugada porque cansou - se de esperar. Eu pedi por favor para ele ir à tarde, ou um pouco mais tarde, pois estava nua na maca, "enxarcada" de sangue, coberta com lençóis apenas e com sonda. Sem comer beber e tomar banho, precisava me recompor, na verdade eu não queria receber visita naquela hora, a não ser pessoas intimas, como as que estavam lá. (não vem ao caso mas não tinha mais intimidade com ele, afinal passamos a gestação toda afastados) E sofri mais um desrespeito nessa hora, ele disse "não estou indo pra te ver, estou indo pra ver meu filho." passados alguns minutos ele chegou, entrou no quarto sem pedir licença, minha irmã que havia chego, pegou o bebê da maca já que ele (o bebê) se irritou por não conseguir "achar" meu seio, nesta hora estávamos tentando fazer com que ele mamasse, eu desejava amamentá - lo há "muitas" horas.... Mas na maca, ainda anestesiada em uma posição nada confortável ficou impossível. O "pai" o olhou e disse "porque ele Está roncando? " e porque está todo "melecado" (referindo-se ao cabelinho grudado) desse jeito? Não deram banho? Eu respondi que não era hora de tomar banho e que provavelmente havia secreção nasal. Ele pegou tirou umas fotos e foi embora. E bem... Depois disso, eu consegui relaxar um pouco, sorrir, curtir minha cria... Ps: até hoje todos os dias, eu me vejo parindo Augusto! E não há um só dia que eu não me cobre por ter me esquecido do plano de parto na hora que me estressei porque acreditei que meu corpo não estava fluindo... Me cobro por ter me esquecido, de lá embaixo do chuveiro, refletir o quanto era importante pra mim parir! Me cobro, porque me acho fraca! E sim! OBVIAMENTE que dou graças a Deus por meu bebê ter nascido ótimo! São dois fatos isolados em minha cabeça. A gratidão que sinto por meu filho ter nascido com saúde! E foi pelo fato de toda hora a dra me tranquilizar dizendo que ele estava bem que eu fui até onde fui, e também por isso me cobro de não ter ido até o final. E o sentimento de incompetência minha, de fraqueza, embora eu tente me convencer do contrário, embora eu me lembre que em trabalho de parto ativo a gente não raciocina muito (ou nada) Embora a minha razão saiba que eu precisava de uma equipe me incentivando, todos ali Unidos no mesmo pensamento... O meu coração não aceita a minha fraqueza como mulher, como mãe. Fora isso, lembro - me dos momentos felizes também que tive naquele decorrer se dia, antes de ir para o hospital, e até mesmo lá, da crise de riso que tive (e que gargalhada boa) ao sentir que não tinha controle nenhum sobre meu corpo e aquilo "era muito louco!"

Este é meu relato de parto.

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© Juliana Rosa

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